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A mulher que não falava - capítulo três

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
O narrador

Fernanda morreu. Não foi natural, muitos acham que não foi justo, e talvez não tenha sido. Ela era muito jovem e como dizem, tinha muita história para viver ainda. Mas, o que é justo nesta vida? Vemos tantas coisas ruins pela TV ou por outras mídias que chegamos a nos revoltar com o destino.
Pedro não ficou sabendo, pois não a via desde o dia em que se despediu dela. Acho que se ele ficasse sabendo ficaria arrasado, assim como estou agora. O fato de eu ser apenas o narrador deste conto não significa que eu não tenha sentimentos. Eu os tenho e confesso que estou muito triste em saber que ela morreu. De verdade, e isso é muito estranho. Queria contar mais coisas sobre ela, como o que aconteceu quando foi embora, com quem viveu, o que fez, mas eu não sei nada disso. Estou buscando algumas informações, mas eu nem sei em que cidade ela morou, não sei nem seu sobrenome.
O que resta é me conformar com isso e seguir minha história. Sempre torcemos pelos finais felizes, não é?! Mas devemos ser realistas, pois às vezes, alguns finais não são como desejamos. Eu não sei como será o final desta narrativa, nem quando isso ocorrerá, mas torcia para que um dia Pedro e Fernanda se reencontrassem e que os dois tivessem cultivado, durante todos esses anos, aquele sentimento colegial. Porém, isso parece impossível de acontecer agora.
E será que existem sentimentos tão duradouros assim? É uma coisa que eu gostaria de saber. Já assisti à filmes com essa temática, em que personagens se reencontravam e no final tudo acabava bem. Confesso que me emociono com esse tipo de coisa. O tempo é enigmático, dizem que cura tudo, que nos faz esquecer tristezas e avançar etapas. Mas, além disso, ele é capaz de guardar memórias e de manter sentimentos, pelos menos na ficção. Mas será que na realidade também acontece isso?
Não tenho as respostas, mas quem sabe descubramos no decorrer desta trama. Então, sigamos com o enredo.
Imagem: http://ametamorfose-ricardo.blogspot.com.br

Pedro se parece comigo. Digo, não fisicamente, mas pelas coisas que sente. Antes que pensem, ele não sou eu, como uma espécie de figura minha. Mesmo assim, pensamos e agimos igual em muitas coisas, mas isso é assunto para uma outra hora, pois agora ele está chegando a uma cidade para descansar. Já estava um dia e meio na estrada e precisava de um descanso. Parou nessas cidades pequenas de beira de estrada, no único hotel do lugar. Só tinha quarto com cama de casal disponível, que custava o dobro de um quarto com cama de solteiro. Alugou o quarto 13. O sol estava quase se pondo, então ele subiu na cobertura do prédio para ver esse fenômeno. É sempre bom ver o sol partir, ou vir, pela manhã, mas geralmente, ou estamos dormindo, ou estamos fazendo outra coisa quando essas coisas acontecem.
Na hora de dormir, Pedro leu o último capítulo de um livro, mas como estava muito cansado, não prestou atenção nas letras e acabou adormecendo.
Certamente, ele sonhou  com muita coisa naquela noite, mas em nenhum dos seus sonhos estava Fernanda. Há muito tempo ela já não vinha a seus sonhos. No começo, depois da despedida, era comum ela aparecer e ficar com ele. Eram apenas sonhos, mas pareciam tão reais. Pedro não se sentia só. Mas com o tempo, ela diminuiu as visitas, até que seu rosto acabou sendo esquecido. Quando ele conseguia sonhar com ela, ela aparecia muito diferente e quase estranha.
Quando amanheceu, Pedro conseguiu ver o sol nascer e assim, seguiu viagem.

Continua...
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