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A mulher que não falava - capítulo um

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Ninguém pensava que ele era assim

- Senhor Paulo, pode vir.
- Ok, policial.
- Mendes, Victor Mendes.
- Então, você quer que eu fale sobre o Pedro, não é?
- Isso mesmo, este é o motivo deste interrogatório. Como era o Pedro? Havia algum indício do que ele estava planejando fazer?
- Veja bem, Mendes, se há uma pessoa que jamais faria mal a alguém, essa pessoa é o Pedro...
- Responda a pergunta anterior, por favor. Isso não é um filme estrangeiro, não precisamos contar estórias de bom sujeito.
- Tá bom. O Pedro era um cara normal como qualquer outro. Trabalhava as oito horas diárias, ele sempre dizia: "Por causa do Vargas, senão, seriam mais horas". Mexia em programas de computador. Eu não entendo nada dessas coisas, sabe.
- Programas de computador? Checamos a máquina dele, não há nada de suspeito por lá. Há apenas arquivos de sistemas que não abrem, além de fotos caseiras.
- É, ele era fotógrafo amador. Ele sempre dizia que era melhor ser amador do que profissional, pois ele amava o que fazia, já um profissional, fazia por profissão.
- Muito interessante - Bradou Mendes, ironicamente. - Mas me conte da vida pessoal dele... parentes, namoradas...
- Nuca vi ele com uma mulher, você sabe... e a família dele morava em outro país.
- Não tinha namorada então?
- Pelo que eu saiba, fisicamente não.
- Fisicamente?
- É, fora da internet. No perfil virtual dele, ele dizia que namorava com a Fernanda, mas nunca vi os dois juntos.
- Obrigado, senhor Paulo.
- De nada. O que posso dizer é que o Pedro não é culpado.
- Isso é o que veremos, não se preocupe.
Paulo estava mentindo, ele escondia algo que Pedro havia feito. Ele realmente não entendia seus motivos, ele nunca pensou que seu melhor amigo poderia fazer o que ele fez, mas nem por isso deveria dedurá-lo para o policial. Paulo não poderia contar toda a verdade, pois ele ainda não acreditava em toda ela.
Pedro e Paulo se conheceram no colégio onde estudavam. Era um colégio considerado bom. Era muito grande e no intervalo, eles subiam numa árvore para tratar de assuntos.
- Paulo, acho que estou apaixonado!
- Como é, cara...
- Apaixonado, aquele tipo de doença de gente grande...
- Mas você só tem 13 anos, não pode estar doente... Ah, já sei, esse número 13 não dá sorte.
- Para, eu não acredito nisso... É que a Fernanda é tão legal comigo.
- A Fernanda, então é por ela? Mas ela é tão pequena.
- Tem a mesma idade que eu, e ela vai crescer, todos nós cresceremos.
- Não diga, sério. Mas mesmo assim, isso vai demorar muito. O que ela disse?
- Disse o quê?
- O que ela falou quando você disse que gosta dela?
- Eu não disse ainda.
- Vamos lá dizer agora. Fernanda...
- Cala a boca, tá doido. Eu não vou dizer pra ela que gosto dela, vai que ela não goste de mim. Eu vou esperar. Um dia, quando eu tiver certeza, eu digo.

Imagem: http://mulhercrista.blogspot.com.br

Aqui é o narrador. Então, se passaram anos e a Fernanda nunca soube que Pedro gostava dela. Aliás, no ano seguinte, ela mudou de cidade e os dois nunca mais se viram. Pedro nunca mais falou sobre ela, mesmo quando Paulo tentava puxar o assunto
- Você já ouviu falar de Blender?
- Não muda de assunto, Pedro. Eu estava falando da Fernanda, lembra?
- Já faz tanto tempo, cara. Foi um amor de infância, esquece isso.
- Você nunca superou, né?
- Superar o que, nunca houve nada entre a gente.
- Isso, você nunca teve nada com ela, mesmo a amando.
- Deixa pra lá. Estamos em 2010 agora. O que passou ou não no passado não importa mais.
- Tudo bem, não está aqui quem falou. Vamos jogar alguma coisa?
- Vamos!
O ano de 2010 só estava começando, mas Pedro já estava carregado de memórias passadas que precisavam ser esquecidas e preenchidas de presente. Ele queria viver o chamado "aqui-agora". Este ano seria o ano.
O policial Mendes buscou a Fernanda na lista de contatos de Pedro no seu perfil virtual, mas não a encontrou pessoalmente. Parecia que ela havia sumido, ou, quem sabe, nunca existido. Mendes era policial investigador há mais de 10 anos no mesmo departamento de policia da cidade. Ele sabia quando algo estava errado. Ele sabia que neste caso, alguma coisa estranha estava acontecendo e o seu objetivo era descobri-la. Até o momento, ele sabia pouca coisa de Pedro, mas a principal dúvida dele era saber o motivo de Pedro estar tão feliz nos seus últimos dias públicos.
Pedro estava desaparecido já há duas semanas.

Continua...
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