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Minha ilha

sábado, 18 de janeiro de 2014
Não sei pra que iniciar esta estória. Nela, não contarei nada de interessante, então, se quiser, nem precisa ler. Escrevo porque quero escrever algo, ninguém me obriga, eu mesmo me obrigo e, assim, escreverei isto aqui, sem revisão, nem sequer com um final definido. Podemos começar pensando no que é uma ilha: um amontoado de terra cercado por águas. Bom, até aqui, temos uma ilha na estória.
Nunca estive em uma, já vi algumas, a maior foi aquela perto da Ponte de Amizade. Mas a ilha desta estória (vamos chamar isso de conto, mesmo que não tenha as características de um conto) não é igual a essa, é uma ilha um pouco maior, mas bem distante de gente. Tem um rio no meio, água doce e condições para que o personagem do conto possa viver.
Agora precisamos de um personagem: vai eu mesmo. Quem sou? O personagem será eu, mas ao mesmo tempo não será. Explico, será uma representação, uma máscara de mim. Provavelmente, um ser melhor do que eu, que terá coragem de dizer e fazer o que eu não digo e não faço. Já que ele sou eu, direi em primeira pessoa.
O modo como cheguei a essa ilha contarei depois, num próximo capítulo (falar a verdade, nem pensei nisso ainda), mas posso dizer, por agora, que estou bem aqui, sozinho. Sabe, existem momentos que queremos estar sós, só conosco mesmo. Estou bem aqui, já não sinto mais falta de ninguém, nem a necessidade de ter alguém comigo. Talvez nem todo mundo tenha um par por aí; acho que algumas pessoas nasceram para viver sozinhas, pois desses modo, possivelmente, poderão cumprir sua missão de vida. E qual é essa missão? Não sei qual é a minha, mas acho que um dia descobrirei.
Neste pedaço de terra, ao qual já chamo de meu, ou melhor, de minha ilha (nome bem original), eu não só penso muito, como também faço muito. Aqui, tudo é mais fácil. Desenho, canto, nado, estudo com alguns livros que trouxe pra cá. O tempo não passa tão rápido, nem devagar, passa como passava na minha infância. Ah, meu tempo de infância, meu sonho. Quem eu era, já não sou mais, nem me imaginava assim, como hoje, preso nesta ilha.
Toda a calmaria que eu pensava sentir se foi. Estou preso! Preso na minha própria ilha. Não, não era isso que eu queria ser. Não posso ficar aqui sozinho por mais tempo, preciso encontrar alguém que me leve para outro lugar.
Ao longe, vejo um barco, pequeno, parece estar vindo pra cá. Acendo uma fogueira e espero.


Imagem: http://ultradownloads.com.br

Acendi a fogueira porque me dei conta de que não adianta nada eu ficar escondido aqui nesta ilha. Me afastar das pessoas só me deixará mais só, não que estar perto  delas me fará sentir sempre acompanhado,  mas provavelmente estarei melhor perto delas.
A embarcação se aproximou, não esperei que ela atracasse à margem, fui nadando até ela. Subi e fui bem recebido pela tripulação. Ouvir as vozes daquelas pessoas me lembrou o quão humano eu sou e o quanto preciso de companhia.
Finalmente, eu estaria voltando pra casa. Poderia ver todos os meus amigos e quem sabe rever alguém que queria muito estar perto.
Comecei a pensar em como tudo isso seria bom. Parece que sempre é preciso estar longe para percebermos que as pessoas fazem falta, que elas são importantes. Eu sempre demoro demais para perceber isso e quando percebo, tento não levar a sério esse sentimento.
O barco me levou até um porto de uma cidade. Passei alguns dias nela até conseguir dinheiro para voltar pra casa. Quando finalmente cheguei em casa, esperei o abraço dos meus pais, mas eles não estavam nela. Talvez estivessem viajando. No dia seguinte, fui à universidade, mas as portas estavam fechadas. Telefonei para alguns amigos, mas nenhum deles atendeu. Mandei uma mensagem para a pessoa que amo, mas ela não me respondeu. Acho que não viu ainda.
Eu já não estava mais naquela ilha, mas era como se eu ainda estivesse lá. Parecia que todas as minha lembranças estavam num passado distante e pior ainda, parecia que elas nunca existiram de verdade. Provavelmente, eu havia criado tudo isso na minha mente. Foi tudo uma ilusão. Tudo um sonho. Um sonho é uma ilusão e só pode se tornar real se acordarmos dele e fazer o que nele sonhamos.  Então, que eu acorde agora. Como é que eu faço? Acorda, vamos lá, acorda.
Acordei, depois de tanto tentar e percebi que sou apenas um personagem. Realmente, tudo era uma ilusão, inclusive eu, que sou um personagem. Mais um personagem.
Fui pra casa, provavelmente neste ano, assumirei um outro personagem, mas não posso me esquecer de que não devo me aprofundar muito no personagem, para não achar que uma mentira é uma verdade.

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