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A mulher que não falava - capítulo sete

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
O diálogo

Pedro estava completamente perdido, pois não conhecia nada do lugar onde estava. A sorte dele era que Fer estava ali, que o experimento tinha dado certo. Ele queria apresentar o mundo para ela, queria falar das coisas boas e ruins que ela conheceria nesta nova vida. Apesar de não saber que caminho seguir, Pedro estava muito feliz. Ele não se sentia assim há muito tempo, finalmente, tinha alguém verdadeiramente do seu lado, alguém real.
Fer gostou muito dele, de o ter encontrado nesse mundo. Ela não imaginava que existiria alguém igual a ela. Quis mostrar onde vivia, então agarrou a mão de Pedro e pediu para que ele a seguisse. Conforme caminhavam, Pedro ia se lembrando de alguns lugares. Uns, mais conhecidos, outros, um pouco confusos. Ele estava completamente perdido, mas se localizou logo quando viu a casa de Fer. Ele não acreditava, entrou em choque por alguns momentos. Sentou no sofá da casa dela após entrar e tentou imaginar no que poderia ter acontecido. Ele não tinha conseguido trazer Fer para o seu mundo. Era ele que tinha ido para o mundo dela.
- Como você se chama? Você disse que eu sou a Fer, então, quem é você?
- Eu me chamo Pedro. Preciso te contar uma coisa, talvez você me ache um louco.
- Pode me dizer e explique também como você já me conhecia.
- Pois bem, Fer, lá vai. Pode mesmo?
- Claro, já tem bastante tempo que tenho algumas dúvidas. Talvez você tenha as repostas que eu procuro.
- Você não é real.
- Isso aqui é real?! - Fer dá um beliscão no braço de Pedro.
- Auuh, isso dói.
- Viu como eu sou real, rum!!
- Você não está me entendendo, nada disso aqui é real.
- Sabe o  que é real? É que eu estou morrendo de fome. Você quer bolo?
- Fer...
- Tá bom, já trago dois pedaços pra gente.
Pedro tentou dizer mais outras palavras, mas ela já tinha ido para a cozinha. Será que seria mesmo uma boa ideia contar para ela a verdade? Como ela se sentiria? E ele, o que faria depois disso? Aquele dia estava sendo muito bom para Pedro, mesmo ele sabendo que o que estava vivendo era virtual.
- Tó, e coma tudinho.
- Obrigado, Fer.
- Você não imagina o quanto eu estou feliz!
- Numa escala de um à dez?
- É. Chuta, Pedro!
- Dez?
- Não, quinze. Eu estou muito feliz porque te encontrei hoje.
- Eu também estou feliz.
- Eu vou te mostrar muita coisa daqui.
Mal imaginava que Pedro conhecia aquele canto tão bem quanto ela. Cada lugar daquela casa foi construído pensando nela. Os sonhos que ela tinha, alguns foram implantados ainda quando ela estava sendo moldada. Pedro não conseguia parar de pensar nisso, mas, ao mesmo tempo, esquecia por alguns segundos e se entregava ao momento. Fer radiava e aos poucos, o que ele já sentia por ela, ia aumentando.
Passaram-se alguns dias e Pedro se esqueceu de que estava no mundo virtual. Ele não queria mais sair dali. Numa tarde, Fer lhe fez algumas perguntas interessantes.
- Pedro, o que é isso que estou sentindo?
- Não sei, como é?
- Eu quero estar com você todo o tempo, mesmo quando eu já estou com você.
Pedro ficou vermelho.
- Por que você mudou de cor? Você está bem?
- Estou! - Pedro respondeu, desconcertado. - É que fiquei um pouco tonto.
- Chega mais perto de mim. O mundo pode ficar de ponta-cabeça, mas eu te protejo.
Pedro se deitou no colo dela e adormeceu. Enquanto isso, ela cantava uma música. Ele podia ouvi-la, mesmo adormecido. Aquela voz era como uma anestesia, pois estava curando suas dores.
No mundo real, ele estava passando por complicações médicas. Já estava há um ano em coma e não reagia aos tratamentos. Seu amigo Paulo o visitava uma vez por mês. Ficava uma hora ao lado da cama. Às vezes, apenas olhava para seu amigo, mas, em algumas ocasiões, conversava com ele. Falava como estava o mundo, o pessoal do trabalho, os seus projetos parados. Mesmo assim, parecia que Pedro não o ouvia.
Na noite que antecedia o natal, Paulo foi visitá-lo mais uma vez para lhe contar que iria se casar. Ao chegar no hospital, viu uma movimentação de médicos no quarto onde estava Pedro. Ele sentiu algo, uma dor silenciosa invadiu seu coração. Caminhou até a frente do quarto com passos pesados. Ao se aproximar da porta, viu um médico realizando o procedimento de reanimação. Não estava funcionando. Um enfermeiro administrou adrenalina para ver se o coração reagia e por meia hora, os médicos entravam e se revezavam naquele quarto. Paulo ficou imóvel.
Naquela noite, Pedro morreu.
Imagem: http://www.internationalforeigntrade.com

Continua...
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