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3027: o ano do início - capítulo dois (final)

quarta-feira, 18 de junho de 2014
Peterson ficou apavorado. Aquela caricatura ainda falava. As palavras mal balbuciadas quase não podiam ser entendidas. "Pare com isso, você é um dos poucos que podem pa...". Mais nada foi ouvido. Ele acionou o alarme da sala e logo apareceu uma equipe de socorristas. Parecia que eles já estavam esperando isso acontecer. Não vestiam branco, mas negro bem escuro. Entraram na sala sem fazer nenhuma pergunta a Peterson, que apavorado, não conseguia nem olhar para a cara do recente defunto. Apenas lembrava da suas últimas palavras. Logo, a sala se esvaziou e ele ficou ali, ao lado da cadeira toda suja de sangue.


Capítulo II 

Ficou horas, imóvel. Ninguém deu falta dele, nem seus companheiros de classe, nem seus tutores. Da janela, ele viu a sol se pondo no horizonte. Era um sol frio, sem cor nem calor. Sua luz em alguns dias era tão fraca que as ruas ficavam todas escuras ao meio dia. Dizia-se que isso era consequência de séculos de exploração que os humanos do passado fizeram. Peterson se sentiu sozinho quando o sol exibiu seu último raio naquele início de noite. A escuridão lhe fez ver que ele estava só todo este tempo. Seus tutores eram monótonos, agiam mecanicamente como se estivessem seguindo um script. Quando saía à rua, não via sentimentos expressos no rosto das pessoas. Os transeuntes caminhavam apressados, mal se olhavam, exceto para cumprirem praxes, e logo seguiam no deserto de seus pensamentos. Na escola, era tudo sistemático, pré-programado, desde a hora de entrar no prédio, até a hora de se despedir dos amigos. Amigos por convenção, pois não existiam traços de amizade. As conversas eram vagas, conteúdos sem essências. Peterson não entendia como as pessoas viviam assim. O que ele não sabia também é que neste novo mundo, praticamente as pessoas não viviam, apenas seguiam protocolos inconscientes.
Ele acabou adormecendo, mas logo acordou com um feixe de luz que subia a partir do andar de cima, que era o último do prédio. Eram aqueles feixes que ocorriam quase todas as noites, mas que ninguém sabia explicar os motivos. Ela pensou em subir para ver o que era, mas temeu, pois ninguém nunca havia subido no 11º andar. Pelo menos ninguém que ele conhecia. Mas aquela luz não parava e a curiosidade só aumentava. Alimentado pelas últimas palavras do subdiretor, ele resolveu ver o que era aquilo. Entrou no ascensor, mas não viu nenhum botão que indicasse o último andar. Procurou escadas, mas não tinha nenhuma. Voltou à sala do subdiretor, procurou na mesa dele alguma informação, como a planta do prédio, mas encontrou apenas um portátil digital. Ligou-o, mas este continha uma senha de acesso.  Ele achou estranho este gadget ter senha escrita, já que todos os outros eram acessado por meio do escaneamento da retina do usuário e autenticação do chip instalado sob a pele na mão esquerda. 
Conto: 3027: o ano do início - capítulo dois
Imagem: http://piniweb.pini.com.br
Desistiu do portátil e se aproximou da janela. O prédio todo era envolto de vidros escuros em forma de quadrado. Num desses quadrados, Peterson percebeu uma saliência que ficava próximo à parece lateral. Tentou retirar aquele vidro puxando-o para dentro da sala, mas não deu certo. Tentou outro vez, mas empurrando e isso estava dando certo, porém se ele empurrasse até o fim, o vidro, que tinha meio metro de largura e um de altura poderia despencar. Exitou por um momento, mas continuou a empurrar e para a sua surpresa, o vidro estava preso a uma espécie de alavanca. Dessa forma, a alavanca puxou o vidro para o lado quando ele se desprendeu da estrutura que o suportava. Peterson pôs a cabeça para fora e percebeu que ao lado tinha uma estrutura paralela ao prédio, como se fosse uma escada. Ele ficou com medo que alguém o visse, mas a luz que estava saindo do topo do prédio o ofuscaria. Tomou coragem e se debruçou no chão, com a cabeça e os braços para fora, tentando segurar a estrutura. Os ventos aumentaram e ele perdeu o equilíbrio, mas conseguiu segurar da estrutura e se pendurar. Escalou-a até o topo, onde encontrou outra saliência no vidro. Abriu-o e finalmente se encontrou no último andar daquela pirâmide.
Toda sua perspectiva caiu por terra, pois não viu nada na sala, além de uma escuridão total. O feixe havia desaparecido e a janela pela qual ele tinha entrado se fechado. Peterson ficou preso.
Dias se passaram e o ano de 3027 chegou com a promessa de que a eternidade traria um novo começo a todos os 499.999.999 habitantes desse caótico marrom novo mundo. As pessoas seguiram suas vidas desvividas sem saber de nada, sem questionar nada e apenas seguindo o que achavam ser o correto.
Para o sistema, Peterson havia deixado de existir desde o dia em que o questionou e violou suas diretrizes ao questionar o que estava posto.

Fim.
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