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A última nota

quarta-feira, 23 de julho de 2014
Noite fria e escura, por que teria que ser em você que a última nota soaria? Por que não em uma manhã de primavera? Por que não longe de todas as coisas ruins, perto de uma cachoeira onde se escondiam alguns pássaros embaixo das águas correntes? Não cabem mais essas perguntas, pois qualquer resposta não mudaria o que se passou. E o que ocorreu, incontestavelmente, foi numa noite fria e escura.

A última nota

Imagem: arquivo pessoal

A plateia de nada sabia. Aos poucos o teatro se encheu. Pessoas de todos os tipos ocuparam os mais de mil lugares disponíveis naquele novo lugar. As cadeiras, todas, eram vermelhas, da cor do vinho e do sangue. Os espetáculo começarei às 8 da noite, quando o último raio de sol se desfizesse presente naquele dia. Mas o sol já tinha ido, e o concerto, por algum motivo, ainda não tinha começado. Isso tudo era normal, a plateia nem ligava muito. Estranho seria se começasse antes da hora.

Do outro lado do horizonte, a lua brilhava, só que dessa vez, com um brilho tímido, como se não quisesse estar ali, como se não quisesse ver o que aconteceria. Talvez a lua soubesse de tudo, esta mesma lua que acompanhou alguns ensaios solitários. A lua que percebia quando ao som de uma canção, não escorria apenas emoção do instrumento, mas também as lágrimas cantavam. Não era a primeira voz, mas aqueles olhos solavam. Descompassado, batia o coração. E aquela lua, pobre lua, nada podia fazer, a não ser ver tudo aquilo e iluminar aqueles olhos.

Enfim, é anunciado o início do fim. A plateia silencia e as luzes se apagam. Por uma das janelas, num espaço aberto e pequenino, a lua ilumina um pequeno pedaço do palco. A orquestra inteira se dispõe em seus lugares, mas o centro do palco fica vazio por alguns instantes. Teria faltado a solista? A lua brilhou mais forte e ciência alguma poderia explicar isso. O espetáculo começa, mas o centro do palco continua vazio. A plateia assiste a tudo sem nada perceber. Talvez nem tivesse nada de errado.

De fora do teatro, se podia ouvir alguns acordes. As cordas com seus agudos e alguns metais contrastando com sons graves. A junção dos estremos fazia do espetáculo algo agradável de se ouvir. Todos estavam gostando, menos a lua. Onde estava a solista? Aquela menina que ensaiava todas as noites não tinha ido. Por quê?

Quando as apresentações acabaram, todos foram embora. As portas, trancadas, luzes, apagadas, e o silêncio imperou naquele lugar anteriormente particular dos bons sons. No centro do palco, ainda brilhava, mui fraca, a luz da lua. Ela ainda esperava a melhor parte do show.

Continua... Ver parte final aqui.
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