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Abro uns parên(teses)

domingo, 17 de agosto de 2014
Antes de tudo, utilizei os títulos assim, com parênteses entre as letras para que esse post se pareça com um artigo científico, mas já aviso, de antemão, que este texto não tem nada que possa ser passível de comprovação, nem mesmo um objeto específico ou método. Mesmo assim, vou escrever em terceira pessoa a partir do próximo parágrafo, que terá um subtítulo.

O uso (in)discriminado exagerado dos parênteses em artigos científicos acadêmicos

Para darmos início ao nosso texto, percebemos que é necessário fazer uma retomada retórica aos primórdios da cultura escrita. No início de tudo, provavelmente não existiam parênteses, mas com o passar dos séculos, algum desocupado viu a necessidade de se criar isso. Consoante aos estudos de Balaktin (1834):
Os parênteses foram introduzidos primeiramente pelos matemáticos, pois era necessário destacar quais equações deveriam ser realizadas primeiro para se encontrar o valor de X. Aliás, o valor de X está nele mesmo, e não nas roupas que ele usa. O X não merece ser julgado (BALAKTIN, 1834, p. 343).
A partir desta explanação, constatamos que os parênteses (muitas vezes confundidos com parentes) tinham o papel de evidenciar. Por esse motivo, Balaktin, que também resolveu discorrer sobre as áreas linguísticas e literárias afirma que:
Não podendo suprimir as forças dos parênteses, eles se expandiram para as demais ciências, percorrendo toda a idade média e se auto-afirmando nas letras. Este processo foi inevitavelmente natural. Contudo, e sem nada, o uso deles transcorreu de forma moderada até a revolução do que se conheceu como o boom da tecnologia e da novíssima tecnologia (BALAKTIN, 1834, p. 512).
Porém, com o estouro das redes sociais, a moderação foi para o espaço. Agora, tudo é permitido e licenciado sob o discurso da zueira never ends, dito pela primeira vez por Pablo Fleira (2007). Em seu livro As rochas nunca falaram br br, Fleira diz que:
A moderação é para pessoas fracas e sem sentimentos. O importante é ser feliz e andar tranquilamente na comunidade onde se nasceu. O uso de br br hue hue huahsuahsuhas é exclusivo de nossa evolução e limitar-lo à internet é moderar a leitura e escrita dos novos emergentes da era digital (FLEIRA, 2007, p. 37).
Desta forma, concebemos que suprimida a moderação, que foi marginalizada por Fleira e posteriores teóricos,  os parênteses também se inseriram nesse uso desmoderado. Assim, passou-se a surgir textos dos mais variados gêneros onde notou-se parênteses em praticamente todos os parágrafos. Mais tarde, seu uso se estendeu e desembarcou de vez nos artigos científicos acadêmicos (ACA).

E qual o problema? (Conclusão)

Discutir aqui sobre esse assunto não significa necessariamente que há problema nele. Tampouco queremos sugerir sugestões. Apresentamos tais usos devido a sua notável presença em praticamente todos os ACA, o que acaba tornando a produção textual em algo padrão. Citamos como exemplo agora a palavra vida. Ela aparece em vários títulos como A (des)vida de Pedro no lugar de Vida e morte de Pedro. Porém, não se fala da morte dele, mas apenas de sua vivência. Seria o mesmo se, ao invés de utilizar a palavra fim para encerrar este artigo, eu utilizasse (des)início.
Imagem: http://abra-seus-parenteses.blogspot.com.br

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