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Começo do final

domingo, 7 de dezembro de 2014

Levantou-se cedo, algo que não fazia costumeiramente. Foi para o observatório da cidade e sentou-se na grama. Observou o nascer do sol. Olhou tudo, sozinho, a cidade ainda dormia. Lugar pacato, a tecnologia era algo novo nela. Nada importava, nem a cidade, nem o nascer do sol. O que era importante neste novo dia era que ele seria o início do último.
Imagem: reprodução http://youtu.be/8iids6Mnm9A

Até o fim deve ter um começo, esta é a regra. Ele levantou-se cedo pois sabia que o dia não seria igual aos outros. Todas as suas ações resultariam no mesmo lugar, no fim de tudo. E neste fim, seu nome seria Jeremias.

Assim que o sol nasceu, ele pôde se sentir acompanhado. O sol seria seu espião. Ele estaria em qualquer lugar desta face da Terra. Estaria, não só com Jeremias, mas também com ela, aquela que estava destinada a se despedir do passado. Jeremias não falou muita coisa, mas isso já era costumeiro. Nunca foi de muitas palavras, até porque, para ele, elas faziam sentido apenas no texto certo. E neste final, não haveriam palavras para descrevê-lo.

Enfim, foi chegada a hora. Não aquela contada por um relógio. Nem mesmo aquela relativa hora de sempre. Jeremias se dirigiu para sua casa e dormiu. Não sonhou com nada, tudo fazia parte do plano. Foi a noite mais escura da sua vida.

Na manhã seguinte, despertou às nove horas, o sol refletia alguns raios em seu rosto. Levantou-se como se nada houvesse acontecido. E, de fato, nada aconteceu, não pra ele, não em suas memórias. No dia passado, findou-se tudo o que ele sentia por ela. Não compartilharia mais com o sol suas lembranças, pois elas já não faziam sentido.

Esse foi o início do final de um amor que nunca deu certo entre Jeremias e ela.
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